quarta-feira, 4 de junho de 2008

O texto já existia: publiquei em outro blog, há exatos 4 anos. Mas é tão atual... Resolvi republicar.
Quando foi mesmo a última vez que eu fiz prova? Ah, sim. Março de 2002. Esse negócio de estudar propaganda enfia a gente numa roda-viva de fazer trabalho, entregar campanha, criar anúncio, escrever textos, desenhar logomarca... e o trivial método de cobrar conhecimento agora nos parece uma coisa retrógrada, ultrapassada.
E eis que aqui estou, há três dias, agarrada a textos e marca-textos, livros, rascunhos, notas de aula, cadernos copiados e, claro, dicionário brasileiro, espanhol e inglês. "Será que vai dar tempo? Será que essa matéria vai cair? Será que eu preciso decorar todos os paradigmas?" O professor disse que as provas dele costumam ser respondidas com uma ou duas linhas. E desde quando eu escrevo qualquer coisa que faça sentido em menos de duas linhas? Só se for meu nome!
E eu fico me lembrando dos bons tempos do Christus, mais uma vez. T1, T2, MA... O desespero rotineiro de duas em duas semanas. A eterna certeza do "papoco", quase nunca confirmada. As noites viradas com as amigas (geralmente a Ramylle), regadas a Coca-Cola, chocolate, café ou qualquer coisa que tivesse cafeína e cor preta. Os sóis que nasciam atrás das nossas olheiras enquanto a gente estudava o movimento retilíneo uniforme. O café da manhã mal tomado para economizar tempo e poder revisar o que foi estudado na madrugada. As mil e uma orações antes de receber as folhas grampeadas de A4, com o brasão do Christus no canto esquerdo. O cuidado ao preencher cabeçalhos perguntando nome, número, data, professor, turma. E o terrível espaço em branco onde (em no máximo um mês) estaria a nossa sentença: nota azul ou nota vermelha? (Azul, na maioria das vezes.)
E o clima de tensão, na hora que seu nome era pronunciado pelo professor, que lhe esperava com o resultado na mão debaixo do olhar curioso e ansioso de toda a turma. E os cálculos na fórmica da carteira, na tentativa de desenhar antecipadamente os números do boletim. Ou de saber o grau de esforço que seria dispendido no próximo teste, em vista de alcançar pelo menos a média.
Se eu sinto saudade disso? Claro. Nunca pensei que pudesse sentir falta de entender o dia-a-dia de uma briófita. Mas hoje, estudando Comunicação Comparada, eu até acho que elas são seres simples demais.

4 comentários:

Marina disse...

Ira, eu lembro de algumas poucas vezes ter estudado com voce, pois na maioria voce estudava comigo, se eh que faz algum sentido. Bom, traduzindo, voce me ensinava mais do que realemente eu acrescentava alguma coisa no seu estudo. Mas em algum lugar, lah no fundo, talves eu sinta saudade.
Bom, como foi a prova?
Um beijo grande, Marina.

Marina disse...

Ih, foi mal, escrevi talvez com (S). Eita, portugues ruim...

:: Iraci disse...

Hahahha, talvez em algum lugar remoto, láááá no fundo, que tu sinta saudade desses estudos, né, Mary??

Realmente, estudamos pouquíssimo juntas, se comparado ao nosso tempo de amizade. Mas acho que é porque a gente preferia mesmo era aproveitar a nossa infância/adolescência com coisas mais divertidas...

E conversa sua que só eu lhe ensinava. Só Deus sabe o quanto até hoje eu aprendo com você...

Marina disse...

O Problema Ira, eh que as coisas que vc ate hj aprende comigo nao sao necessariamente "academicas" ou "escolares" ou ate posso dizer, boas...hahahahaahha. Mas gosto da sua resposta, nos realmente preferiamos aproveitar o tempo curtindo a adolescencia e infancia juntas, E nao eh isso que quer dizer "melhores amigas"? Um beijao!