segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Até agora, ele ainda não fez as pazes comigo. Eu conversava com uns amigos quando percebi que ele estava ficando de cabeça quente. Talvez porque andei dando muitas ordens a ele, e tudo ao mesmo tempo. Nós mulheres às vezes temos esses acessos de imperatividades múltiplas. Pedi desculpas, mas em vão. Não respondia, estava estático. Parecia fingir que eu não existia.
Tentei conversar, negociar, mas ele estava incompreensível. Segurei o choro. Como ele podia fazer aquilo comigo, logo agora, que eu tinha tanta coisa de uma só vez na cabeça?
Eu sei que ele também trabalha muito, às vezes até mais do que eu. Eu sei que também não dou sossego a ele, um dia na semana sequer. Eu sei que a gente tá ficando velho, eu e ele. Mas ele sempre conviveu com isso, reclamou um pouco, mas nunca chegamos a esse ponto.
Em meio ao desespero, buscando na memória um motivo pra tudo aquilo, lembrei que há alguns dias, ele tinha comentado que não estava muito bem.
Será que é isso?, pensei. Será que algum vírus estranho tomou posse do coitado, e por isso ele está assim tão temperamental? Mas não podia ser, há pouco tempo tínhamos feito um bom check-up, e nos disseram que tudo estava bem, apesar da idade avançada.
Bem, o fato é que estamos separados.
Hoje ele até vai dormir fora. Vamos ver se amanhã ele volta. Ele sabe que eu dependo dele, e ele também depende de mim... Se ele voltar, eu tento esquecer todo o sofrimento que ele me causou no passado, sem mágoas nem ressentimentos.
Mas se ele não voltar, sinto muito. Vou ter que trocá-lo por outro. Quem sabe um Core Duo da Toshiba, com 160GB de HD e 2GB de memória? A fila anda. Já estou paquerando.