terça-feira, 4 de março de 2008

Última sexta-feira de outubro, 4 horas da tarde, em um dos sinais vermelhos daquela avenida que parecia não apreciar a cor verde. Embora este fosse o lugar físico que ela estava naquele momento, os pensamentos a levavam para a provável reação do professor quando a visse chegar com quarenta minutos de atraso.
Até que havia conseguido escapolir do trabalho a tempo, mas o trânsito definitivamente não queria colaborar. O rádio do carro, quase no volume máximo pela sua dificuldade de escuta, tentava sem sucesso distrair a futura publicitária no trajeto nervoso para a sala de aula.
Aproximava-se do carro um cidadão que aparentemente aproveitava o trânsito parado para entregar panfletos promocionais. Curiosa e sempre interessada em saber o que estavam inventando de novo nas agências de propaganda, inconscientemente ela comemorou o fato de ter algo interessante pra ver enquanto não podia sair do lugar.
Abriu apenas um palmo de vidro para pegar o impresso de papel couchè, o suficiente para perceber que o homem tentava comunicar algo.
- Hã? - ela perguntou, fazendo cara de quem não ouviu patavina.
E o homem repetiu a frase, sem sucesso nem condição de ser ouvido por ela.
- Péra só um minutinho! - berrou a moça, pedindo que o homem pacientemente esperasse que ela diminuísse o volume estridente do rádio.
- Pois não, senhor.
- Isso é um assalto.
- Um assalto???
Mais surpresa do que assustada, ela questionava o assaltante. Pensou que ele fosse dizer qualquer coisa: que o supermercado estava entregando brindes ou que o pneu estava baixo, por exemplo. Só não esperava que fosse um assalto.
- É, um assalto. Passa a bolsa. - disse o homem, tentando recuperar algum sentimento de medo ou um clima de autêntico roubo.
- A bolsa? Ih, meu filho... Tem certeza que quer ESSA bolsa?
O criminoso olhou pelo vidro. Era uma grande e velha bolsa verde musgo, dessas tipicamente usadas pelos estudantes, com um macaquinho pendurado, esborrotando de livros grossos e velhos.
- Olha, eu sou estudante, tá vendo? Acho que tô mais lisa que você. Olha aqui minha carteira.
Abriu a carteira de couro no nariz do homem. Depois, mexendo nas gavetinhas do carro, foi falando:
- Deixa eu ver se encontro alguma moeda do papai aqui... Às vezes ele deixa... Olha! Tá aqui. Um real!

E quando voltou o olhar para a janela, ele já havia desistido. Deixou os panfletos no asfalto e foi estudar novas táticas de assalto, provavelmente em novas paragens.

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Em tempo: acima, um diagramazinho mostrando como se comportar no meio da rua de forma a dar menos bandeira. Logo embaixo dele, a relação dos celulares das viaturas do Ronda... A visualização melhora se clicar sobre a figura. Afinal, Iraci também é utilidade pública.

2 comentários:

Anônimo disse...

tu devia mandar essa história pro retrato falado!! heheheh
gostei das dicas!!! =)
bjos

Anônimo disse...

Hahahaha! Essa eu já conhecia, mas é sempre bom escutar de novo. Até serve de link pra lembrar de tantas outras histórias de assalto que, felizmente, como essa, acabaram bem e que, contadas, provocam risadas.
Beijo e boa prova amanhã, Irá!
=)