O texto já existia: publiquei em outro blog, há exatos 4 anos. Mas é tão atual... Resolvi republicar.Quando foi mesmo a última vez que eu fiz prova? Ah, sim. Março de 2002. Esse negócio de estudar propaganda enfia a gente numa roda-viva de fazer trabalho, entregar campanha, criar anúncio, escrever textos, desenhar logomarca... e o trivial método de cobrar conhecimento agora nos parece uma coisa retrógrada, ultrapassada.
E eis que aqui estou, há três dias, agarrada a textos e marca-textos, livros, rascunhos, notas de aula, cadernos copiados e, claro, dicionário brasileiro, espanhol e inglês. "Será que vai dar tempo? Será que essa matéria vai cair? Será que eu preciso decorar todos os paradigmas?" O professor disse que as provas dele costumam ser respondidas com uma ou duas linhas. E desde quando eu escrevo qualquer coisa que faça sentido em menos de duas linhas? Só se for meu nome!
E eu fico me lembrando dos bons tempos do Christus, mais uma vez. T1, T2, MA... O desespero rotineiro de duas em duas semanas. A eterna certeza do "papoco", quase nunca confirmada. As noites viradas com as amigas (geralmente a Ramylle), regadas a Coca-Cola, chocolate, café ou qualquer coisa que tivesse cafeína e cor preta. Os sóis que nasciam atrás das nossas olheiras enquanto a gente estudava o movimento retilíneo uniforme. O café da manhã mal tomado para economizar tempo e poder revisar o que foi estudado na madrugada. As mil e uma orações antes de receber as folhas grampeadas de A4, com o brasão do Christus no canto esquerdo. O cuidado ao preencher cabeçalhos perguntando nome, número, data, professor, turma. E o terrível espaço em branco onde (em no máximo um mês) estaria a nossa sentença: nota azul ou nota vermelha? (Azul, na maioria das vezes.)
E o clima de tensão, na hora que seu nome era pronunciado pelo professor, que lhe esperava com o resultado na mão debaixo do olhar curioso e ansioso de toda a turma. E os cálculos na fórmica da carteira, na tentativa de desenhar antecipadamente os números do boletim. Ou de saber o grau de esforço que seria dispendido no próximo teste, em vista de alcançar pelo menos a média.
Se eu sinto saudade disso? Claro. Nunca pensei que pudesse sentir falta de entender o dia-a-dia de uma briófita. Mas hoje, estudando Comunicação Comparada, eu até acho que elas são seres simples demais.